Home Data de criação : 08/11/23 Última atualização : / 85 Artigos publicados
 

Ruas

fim de março  (Ruas) escrito em terça 30 março 2010 18:16

não gosto de clicar poses, nem de poesias acabadas -

 - de meio fim e começo -

desejo seu orgasmo mais

Zeus

desejo - olhar deusa louca entreaberto para no fim suspirar entre as cidades molhadas e chuvas gotas choros sorrisos - desejo...

não gosto dos irrespiráveis - estados deformados de tiranos - reflexos dos incompetentes - não gosto de falar - mas ouvir

na madrugada neste balcão, cada palavra pronunciada ou cantada nesta odisséia estranha de uma noite rock n roll .... sua voz rouca me dizer que amanhã o mundo vai respirar paz... neste março de 2010...

CArloZ

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DIA DA POESIA  (Ruas) escrito em domingo 14 março 2010 22:46

Reproduzo aqui um texto da Martha Medeiros, para esse dia que deve ser celebrado todos os dias.

 

POESIA OCULTA

 
  
            Não, hoje não vou trabalhar. Acordei tão cedo que consegui ver os primeiros raios solares refletidos nos vidros dos edifícios, dando a eles uma coloração rósea que deixou a cidade com uma cara diferente da que ela costuma ter.  Havia ali, naquele instante, 6h47 da manhã, poesia. Uma poesia com a qual nossos olhos desacostumaram. Hoje não vou trabalhar, preciso procurar por ela, essa poesia oculta.
            E sei que vou encontrá-la em todo lugar, bastando pra isso a minha intenção. Começou. Já consigo vê-la na lombada dos livros que estão dispostos na estante, vários, um ao lado do outro, compondo um mosaico de cores e possibilidades. E vejo também na xícara de cafezinho, a louça branca, ao lado do jornal aberto, em cima da mesa, e um copo d´água, os três em colóquio matinal, clássicos do cotidiano. Ali: a poesia da caixa de fósforos quietinha na cozinha. Da mulher passando o batom na frente do espelho fingindo que não está vendo que seu marido a espia escondido, ele próprio também fingindo que já não se deslumbra com a cena.
            A letra caprichada da criança na primeira folha do caderno. A fila de táxi no ponto em frente ao parque, enquanto os motoristas conversam e fumam aguardando os passageiros. O carrinho de supermercado abandonado no meio do estacionamento depois que todos se foram, esquecido na noite. Os cachos ruivos que estão no chão de um salão de beleza mixuruca, onde alguém cortou o cabelo e
se arrependeu. A poesia oculta não é tão oculta assim.
            Um varal com roupas puídas, penduradas numa janela de um edifício antigo. A torcida de um estádio explodindo ao ver entrar em campo o seu time. Duas adolescentes de cabelos longos cochichando e rindo à saída do cursinho. O olhar perdido da mulher dentro do ônibus. Um guarda-chuva preto.
            Sua amiga que piscou o olho pra você lá do outro lado da festa, o afeto atravessando o salão e desviando dos convidados que separam vocês duas. A chama da vela que balança porque você está gargalhando. O casal que caminha na noite escura na beira da praia, agasalhados e agarrados, achando que ninguém os vê. Um resto de bolo dentro da geladeira.
            O canhoto do cartão de embarque no fundo da bolsa. A almofada que caiu do sofá da varanda por causa do vento. O vapor que embaçou o espelho do banheiro depois do banho. A mochila em cima da cama da sua filha. Seu filho dormindo.
            A poesia é uma fatalidade do olhar. Basta um frame de segundo e ela se revela, para então se esconder novamente atrás da pressa, do tédio, do desencanto, do hábito, do medo do ridículo que paralisa todos nós. Eu hoje não vim aqui para trabalhar, vim estimular o mistério.
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2010  (Ruas) escrito em sábado 23 janeiro 2010 08:40

Não será hoje que vai encontrar
o caminho de volta
e existem lugares em tempo algum visitados
por voce
como existem pessoas que sua mente
não experimentará....
ruas, parques, lagos, vagabundos, executivos, charmosos, pessoas pessoas pelas cidades e sedutores monumentos nas esquinas e
palavras... não saberá...
aquela canção – presente – essencial - espalhou-se por alamedas e sorriu sorrisos – lamentou momentos ..
mas voce nada escutou–
estava comigo, sem passado – sem futuro – ouvindo um coração –
sem rumo e coragem -
dos próximos dias
dos nossos anos.

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Interiores  (Ruas) escrito em domingo 06 dezembro 2009 20:16

olho para o mundo
lapido meu canto

vergonha de ser humano
de ser
e estar – e estando humano
lapido coração

socando pipa no céu
descendo de bike a rua da penha
clicando paisagens
ouvindo voce...
lapido coração

quer leia drummond de madrugada
ou confronte - a tarde –
coração selvagem de clarice linspector
e incessantemente repita amor amor amor louco...
lapido coração

o dia vem nascendo – talvez domingo – talvez novembro – talvez te faça feliz – ou gozar –
talvez leia ginsberg caminhando por estradas da terra do nunca ...

lapidando coração pelos dias
observo o mundo...

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Ele se foi..  (Ruas) escrito em domingo 15 novembro 2009 18:25

AO MEU PAI

Agora que você se foi e caminho pelos corredores da Puc – céu paulistano nublado – e eu na minha louca existência ... penso seus pensamentos quando preocupado com seus filhos, quando martelando o orçamento do mês, as dívidas nunca terminar em sonhos – quando seu coração no amor invisível deste mundo tão cruel pousar em nossos olhos tão mansos – tão filhos – e eu que ainda sou adolescente que ainda não constitui família penso nas nossas manhãs até a banca de jornais comprar algo doce, segurando suas mãos tão pai – e felicidades transbordando estrelas loucas infantis nas minhas correrias e seu carinho... pousando olhares para meus dias....
e mesmo assim acredito que voce saiu de uma grande encrenca...
sim, um mundo conturbando doentio obcecado por máquinas e demônios e anjos sobrevoando por alguns corações pulsantes....
e sussurando na sua última voz “para se cuidar” – para entender que tudo é assim:
palavras em páginas que iremos ler e reler e mesmo assim não aceitar –
de quando minha mãe o abraçou
de quando seu telegrama chegou a minha mente em Sampa “adorei chegar vivo aos seus 21 anos”
e eu não entender seu amor, seu carinho entre máquinas que agora vejo luminosas nestes corredores da PUC, entre acadêmicos e aspirantes – janelas de um saber que se esvai – que se vai como voce pai
que se foi – saudades profundas de um dia e um ano e mês
que o poeta o filho escreveu.
Te amo Sr. Edwaldo

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