Home Data de criação : 08/11/23 Última atualização : 10/03/15 02:46 / 81 Artigos publicados
 

Literatura

Mente  (Literatura) escrito em segunda 27 julho 2009 18:47

aqueles pensamentos que não sabemos deduzir, nem traduzir, nem entender de noites, de dias tão loucos - sóbrios para os vigilantes caretas - aquela que inquieta e me traz lembranças de outro planeta - de meu universo tão amplo - que não sei....

 

entendo de cartas - de escritos - de tinta - de pupilas abertas - de desconcertantes poetas atrás fugindo de burocratas - de hipócritas -

 

um dia as crianças escreverão a poesia definitiva -
a minha criança - a que bate em meu peito e grita,

escreverá a palavra redentora -


o amor perdido - e não sobrará mais nada, nem ninguém

 

neste beira-mar

 

entregando petalas de rosas

pela areia .....


CarloZ

permalink

Sentidos incorretos  (Literatura) escrito em segunda 27 julho 2009 18:35

permalink

SUTRA DO GIRASSOL  (Literatura) escrito em domingo 26 julho 2009 13:02

Sutra do Girassol Caminhei nas margens do abandonado cais de lata onde outrora descarregavam banana e fui sentar na sombra enorme de uma locomotiva lá perto para olhar e chorar o sol morrendo em ladeiras sobre as casas todas iguais. Jack amigo Kerouac sentou-se ao lado no ferro de um mastro roto partido e a gente caiu na maior fossa do mundo, os dois ilhados, dois contidos na rede das raízes de aço, e eu e Jack pensando os mesmos pensamentos da alma. No rio a correnteza de óleo refletia o céu rubro, o sol caía pelas alturas finais de San Francisco, sem que houvesse peixe nessas águas, sem que houvesse um ermitão nas montanhas, só a gente com olhos de ressaca e remela, feito vagabundos, cheios de astúcia e cansaço. Olha só um girassol, Jack então disse, e havia o vulto inerte e cinzento seco, do tamanho de um homem, recostado num monte milenar de serragem. - Eu pulei de alegria e era o primeiro girassol de minha vida, eram memórias de Blake - essas visões - o Harlem e os rios do inferno-leste, sanduíches indigestos trotando um ranger de pontes, carrinhos de bebê encalhados, esquecidos pneus de bojo negro careca, penicos & camisas-de-vênus, o poema da margem, canivetes, nada inox, só o mofo o lixo de tantas coisas cortantes cujo fio passava para o passado - e o cinzento girassol se equilibrando ao sol-posto, desmanchando-se abatido na invasão da fuligem, da fumaça, do pó de velhas locomotivas no olho - corola e também coroa com as pontas amassadas virando, com sementes despencando do rosto, rompendo em breves dentes um dia claro, raios de sol grudando em seu cabelo riscado como uma exangue teia de aranha de arame; caule com braços-folhas jogados, os gestos da raiz de serragem, pedaços de reboco minando nos galinhos queimados e uma mosca estagnada no ouvido, você de fato era uma incrível coisa imprestável, ó meu girassol minha alma, e como eu te amei então! sujeira não era parte do homem, era a parte da morte e das locomotivas humanas, simples roupa empoeirada, o simples véu da pele férrea, a cara da fumaça, as pálpebras da escura miséria, a mão ou falo ou tumor mortiço do imundo motor moderno industrificial disso tudo, o bafo da civilização poluindo tua coroa muito louca de ouro - esses turvos pensamentos de morte, a grande falta de amor em fins e olhos tapados, raízes abafadas em areia e serragem, os dólares raspantes elásticos, o couro das máquinas, as tripas enroscadas de um carente carro que tosse, as solitárias latas baratas com línguas rotas de fora, e o que mais seja, a cinza que escorre pela boca na ereção de um charuto, a boceta de um carrinho de mão, ou os seios acesos de viaturas lácteas, o rabo gasto que as cadeiras expelem, o esfíncter dos dínamos - tudo isso embolado nas raízes-múmias - e você aí de pé na minha na tarde da minha frente, a sua glória em sua forma! beleza perfeita, um girassol! uma tranqüila e girassol existência excelente e perfeita! um olho doce natural para a melancolia da lua nova, desperto vivo excitado sacando no crepúsculo sombra a brisa mensual de ouro aurora! enquanto você lançava blasfêmias para o céu da via férrea e sua própria floralma, quantas moscas zumbiram na sua extrema imundície sem ligar para nada? Quando, flormortapobre, você esqueceu que é uma flor? quando olhou sua pele e decidiu que era a velha suja locomotiva impotente? o fantasma de uma locomotiva? o espectro e sombra de uma já poderosa locomotiva americana maluca? não, girassol, você não foi locomotiva nunca, você foi sempre um girassol! você, locomotiva, você é o motivo louco de sempre, a locomotiva! pensando isso peguei o grosso girassol esqueleto e o finquei a meu lado como um cetro fiz o meu sermão à minha alma, e também à de Jack, e tambérn à de todos que ainda queiram ouvir: Não somos a sujeira da pele, não somos nossa locomotiva medonha triste poeirenta com ausência de imagem, nós somos todos uns lindos girassóis por dentro, somos sagrados por nossas próprias sementes & peludos pelados dourados corpos de ação virando girassóis ao crepúsculo loucos girassóis formais e negros que esses olhos espiam na sombra da locomotiva maluca margem beira San ladeiras Francisco tarde de lata sol-posto sentar-se vision.

 

 

ALLEN GINSBERG

permalink

Serei BREVE  (Literatura) escrito em sábado 11 julho 2009 01:14

Aonde posso deixar minhas atitudes ?

Aonde poderei empinar pipas e sonhos ?

Aonde está o lugar ?

 

Dentro de alguns dormitórios moram milhões...

Dentro de minha mente você me atira flores... e outros carregam bombas.... Sobram os fracos aos montes...

Discursos dos homens públicos se perdem ao vento...

                Não bebo coca-cola, não calo ao patrão...

sou o presidente...

Sou a mente que todos pensam alcançar não tenho nada.

                 Aonde poderei deixar minhas atitudes penduradas?

                           Não sou mente, não minto pra mim, sou apenas um adolescente. Eternamente.

Mesmo que o sempre estiver a frente do nunca mais.

Mesmo que nossos beijos sejam os próprios beijos. Não sei.

Atravesso os planetas certos, as ruas edificantes - caleidoscópios - virtuais da mente que sempre renova meu ser. 

E os caminhos floridos

E os caminhos perdidos nos olhares do horizonte fixo –

e os caminhos que não vou trilhar.

 E as alturas que quero alcançar.

Serei nada se alcançar a fama. Serei uma cama. Talvez a paranóia da noite serei... ou o ar ... sei que estou com os perdidos, mas sem compaixão e com perdão ...

Alcançarei algumas poucas estrelas - um punhado – e lançarei aos poetas vivos e mortos.

O carvão da massa escura – a tensão do dedo no gatilho – todos milhões de neurônios estalados – todos os loucos do mundo explodindo .... Implodindo. Poetas suicidas de palavras.

Prosadores que tocam as trompetas do lirismo.

Alcançarei ... Mas serei breve – o tempo é curto - o amor não dura além da embalagem ...

Alcançarei todos os sentidos secretos.

Por vidas e vidas subirei alto.

E melhorar o mundo pelo menos a minha volta alcançarei.

 

pelo dever de um artista ...

permalink

Sejamos  (Literatura) escrito em quarta 20 maio 2009 14:45

E um dia olharão para

o grito de liberdade e ouvirão

certo poderoso momento todos entenderão

que o que passou não se repete jamais.
Assim como nasce uma criança nasce o pensamento...
pensamentos e dias de inverno
pensamentos
do presente - passado - futuro
planeta lost
nas particulas das palavras
dos atomos virtuais
da amizade cubista

hoje esse dia vejo gelado de hoje - seja eu e voce - únicos - sejamos nós ...
menos racionais
menos indiferentes
mais rock

poder a poesia...

nas noites humanas...

permalink