AO MEU PAI
Agora que você se foi e caminho pelos corredores da Puc – céu
paulistano nublado – e eu na minha louca existência ... penso
seus pensamentos quando preocupado com seus filhos, quando
martelando o orçamento do mês, as dívidas nunca terminar em sonhos
– quando seu coração no amor invisível deste mundo tão cruel
pousar em nossos olhos tão mansos – tão filhos – e eu
que ainda sou adolescente que ainda não constitui família penso nas
nossas manhãs até a banca de jornais comprar algo doce, segurando
suas mãos tão pai – e felicidades transbordando estrelas
loucas infantis nas minhas correrias e seu carinho... pousando
olhares para meus dias....
e mesmo assim acredito que voce saiu de uma grande
encrenca...
sim, um mundo conturbando doentio obcecado por máquinas e demônios
e anjos sobrevoando por alguns corações pulsantes....
e sussurando na sua última voz “para se cuidar” –
para entender que tudo é assim:
palavras em páginas que iremos ler e reler e mesmo assim não
aceitar –
de quando minha mãe o abraçou
de quando seu telegrama chegou a minha mente em Sampa “adorei
chegar vivo aos seus 21 anos”
e eu não entender seu amor, seu carinho entre máquinas que agora
vejo luminosas nestes corredores da PUC, entre acadêmicos e
aspirantes – janelas de um saber que se esvai – que se
vai como voce pai
que se foi – saudades profundas de um dia e um ano e
mês
que o poeta o filho escreveu.
Te amo Sr. Edwaldo
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Data de criação : 08/11/23 Última atualização : 10/03/15 02:46 / 81 Artigos publicados








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