Home Data de criação : 08/11/23 Última atualização : 11/10/17 12:59 / 85 Artigos publicados

a noite vem  escrito em quarta 02 junho 2010 14:31

Blog de sobrevivente :Película de um século em fúria, a noite vem

E vou ao país das palavras –

absorver seu cotidiano –

tocar suas mãos em perfeita simetria –

ouvir seus pensamentos dispersos –

me perder - interiores estranhos –

de janelas em janelas.... –

 

quadros invisiveis pendurados paredes sintéticas –

e os problemas, poeiras pelos cantos -  quietos

promessas sob abajur – seu corpo alongado ....

 

outros textos na escuridão – imperfeições aos seus olhos –

ainda que leds insistam, pisquem no final da tarde – e voce não aceita meu convite –

a noite vem ...

 

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Amor de um século passado  (Erótiko) escrito em sábado 01 maio 2010 12:56

Blog de sobrevivente :Película de um século em fúria, Amor de um século passado

se por acaso te elogiar  - vai fugir eu sei - e o nosso tempo...
suspiros
aos vento até voce - e seus olhos ternos ao meu lado... me
aliviar...
se
por acaso te vadiar - entrega-lá a uma mesa, pernas
abertas deitada
meus sonhos ao vento a voce... 
se por acaso te
encontrar -
roubar um beijo - falar ao seu ouvido no trânsito - seu
corpo vibrar
e olhares entreabrires - meu tempo esgotar... último e
derradeiro
gozo...
se por acaso te escrever, o perfumado papel de meu
corpo
ao vento voce colher como minha língua como sua voz que não
entende
palavras apenas sentimentos
verdadeiros
se por acaso me
entender
não vou fugir - não vou te mentir - por alguma estrada sem rumo
sei
voce me levará sei voce vai tentar
sei voce vai me amar...

 

CArloZ

 

 

Foto: Sandra, eu e Menian Inverno de 2008

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Promessas  (SONHOS) escrito em sábado 24 abril 2010 17:43

Blog de sobrevivente :Película de um século em fúria, Promessas

E vou ao país das palavras 

absorver seu cotidiano 

tocar suas mãos em perfeita simetria 

ouvir seus pensamentos dispersos

me perder - interiores estranhos 

de janelas em janelas.... 

quadros invísiveis pendurados em paredes sintéticas

e os problemas....  poeiras pelos cantos – estão quietos

promessas sob quebra-luz – seu corpo alongado –

outros textos na escuridão – imperfeições aos seus olhos –

preparo um café,

deito sua cabeça em meu colo – silêncio ...

e vou ao futuro dos amantes –

que D.H.Lawrence não diz

e Drummond sintoniza, 

ao voar...

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fim de março  (Ruas) escrito em terça 30 março 2010 18:16

Blog de sobrevivente :Película de um século em fúria, fim de março

não gosto de clicar poses, nem de poesias acabadas -

 - de meio fim e começo -

desejo seu orgasmo mais

Zeus

desejo - olhar deusa louca entreaberto para no fim suspirar entre as cidades molhadas e chuvas gotas choros sorrisos - desejo...

não gosto dos irrespiráveis - estados deformados de tiranos - reflexos dos incompetentes - não gosto de falar - mas ouvir

na madrugada neste balcão, cada palavra pronunciada ou cantada nesta odisséia estranha de uma noite rock n roll .... sua voz rouca me dizer que amanhã o mundo vai respirar paz... neste março de 2010...

CArloZ

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DIA DA POESIA  (Ruas) escrito em domingo 14 março 2010 22:46

Blog de sobrevivente :Película de um século em fúria, DIA DA POESIA

Reproduzo aqui um texto da Martha Medeiros, para esse dia que deve ser celebrado todos os dias.

 

POESIA OCULTA

 
  
            Não, hoje não vou trabalhar. Acordei tão cedo que consegui ver os primeiros raios solares refletidos nos vidros dos edifícios, dando a eles uma coloração rósea que deixou a cidade com uma cara diferente da que ela costuma ter.  Havia ali, naquele instante, 6h47 da manhã, poesia. Uma poesia com a qual nossos olhos desacostumaram. Hoje não vou trabalhar, preciso procurar por ela, essa poesia oculta.
            E sei que vou encontrá-la em todo lugar, bastando pra isso a minha intenção. Começou. Já consigo vê-la na lombada dos livros que estão dispostos na estante, vários, um ao lado do outro, compondo um mosaico de cores e possibilidades. E vejo também na xícara de cafezinho, a louça branca, ao lado do jornal aberto, em cima da mesa, e um copo d´água, os três em colóquio matinal, clássicos do cotidiano. Ali: a poesia da caixa de fósforos quietinha na cozinha. Da mulher passando o batom na frente do espelho fingindo que não está vendo que seu marido a espia escondido, ele próprio também fingindo que já não se deslumbra com a cena.
            A letra caprichada da criança na primeira folha do caderno. A fila de táxi no ponto em frente ao parque, enquanto os motoristas conversam e fumam aguardando os passageiros. O carrinho de supermercado abandonado no meio do estacionamento depois que todos se foram, esquecido na noite. Os cachos ruivos que estão no chão de um salão de beleza mixuruca, onde alguém cortou o cabelo e
se arrependeu. A poesia oculta não é tão oculta assim.
            Um varal com roupas puídas, penduradas numa janela de um edifício antigo. A torcida de um estádio explodindo ao ver entrar em campo o seu time. Duas adolescentes de cabelos longos cochichando e rindo à saída do cursinho. O olhar perdido da mulher dentro do ônibus. Um guarda-chuva preto.
            Sua amiga que piscou o olho pra você lá do outro lado da festa, o afeto atravessando o salão e desviando dos convidados que separam vocês duas. A chama da vela que balança porque você está gargalhando. O casal que caminha na noite escura na beira da praia, agasalhados e agarrados, achando que ninguém os vê. Um resto de bolo dentro da geladeira.
            O canhoto do cartão de embarque no fundo da bolsa. A almofada que caiu do sofá da varanda por causa do vento. O vapor que embaçou o espelho do banheiro depois do banho. A mochila em cima da cama da sua filha. Seu filho dormindo.
            A poesia é uma fatalidade do olhar. Basta um frame de segundo e ela se revela, para então se esconder novamente atrás da pressa, do tédio, do desencanto, do hábito, do medo do ridículo que paralisa todos nós. Eu hoje não vim aqui para trabalhar, vim estimular o mistério.
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